Compartilhamos por que?

No último dia do meu detox, pensei: amanhã vou instalar o Instagram novamente, vou voltar a trabalhar, o que vou postar? Meu marido fez fotos lindas da praia, nossas também. Os amigos tiraram muitas fotos dos belos momentos que vivemos. Já estava automaticamente tratando algumas fotos, e a minha timeline ia ficar linda. De repente, olhando para as imagens, me veio o questionamento: vou compartilhar minhas férias / meu relacionamento / meus amigos com qual intenção?

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Usando o Instagram diariamente fica tudo meio no automático - tá todo mundo fazendo, vou fazer também. Se sinto clareza no propósito do compartilhar, como a oportunidade de mostrar um lugar lindo para as pessoas, a vontade de ter guardado um momento especial do meu relacionamento e/ou amizade, acho que tá perfeito. Mas no meu caso eu me peguei sem sentir essas necessidades. Estava fazendo mais pelo automático ou, se cavarmos mais a fundo, pelo ego mesmo, sempre ele. A intenção por trás do seu compartilhar é clara para você? Imagino que pra maioria das pessoas não seja.

Sinto que o que acontece é que as pessoas que vivem de seus canais digitais (blogueiros, influenciadores, youtubers, gente que tem muito alcance) acabam se tornando uma referência para todos nós. E o que eles nos mostram é que quanto mais exposição e mais quantidade, mais sucesso. E aí parece que ficamos todos meio confusos, abrindo nossas vidas meio que no automático, como se todos também tivéssemos como objetivo sermos influenciadores digitais, mesmo não sendo o caso na maioria das vezes. Você deve conhecer alguém assim, que o trabalho não tem nada a ver com o digital (e que nem tem essa intenção) mas que no Instagram tem um perfil exatamente como o de uma blogueira ou blogueiro.

É natural estarmos tão sedentos por visibilidade. Tudo à nossa volta nos tem dito que a moeda da relevância do mundo parece ser uma só: não é seu conhecimento ou sua capacidade de impactar positivamente a vida da sociedade. Mas sim a sua habilidade em conquistar seguidores e likes, do seu ranking nas redes sociais, não importa se você é um blogueiro ou um médico. Gostando dessa realidade ou não, parece pouco produtivo nadar contra a maré. “Agora o mundo é assim”, pensamos. Mas a que custo entramos nesse jogo? Será possível não jogá-lo?

#ainternetqueagentequer


Luiza Voll1 Comment