Só sei que nada sei

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Agora que o ano começou mais uma vez, é hora de organizar a casa. Tentar pela milésima vez fazer uma planilha de gastos - e não abandoná-la três meses depois. Voltar a fazer exercício, comer melhor, ler aqueles tantos livros que se acumulam na estante. Escrever com mais frequência no blog! Pra alguns tópicos eu já disse sim, mas esse último me travou. Penso, penso e não consigo achar um assunto pra falar... Comecei a entender o por quê.

Vivemos um tempo de muitas certezas. Ao menos na internet. Cada textão que viraliza na semana vem cheio de ideias de como o mundo tem que ser, de como a gente deve se portar. Um gringo fala sobre os problemas do Brasil e parece que ele descobriu a solução para que finalmente a gente mude. (Na real, ele falou uma série de clichês, mas de uma forma bem-estruturada, embalando suas ideias como se fossem um produto - e esse produto logo virou febre na prateleira de promoção da rede.)

Isso me enche de alegria, porque tem cada vez mais gente lendo textão, e de preguiça, por que quando foi que a gente passou a gostar de consumir tantas verdades absolutas?

Não sei vocês, mas quanto mais o tempo passa, menos coisas eu sei - em todas as esferas. A gente vai amadurecendo e perdendo aquelas certezas cristalizadas. Foi engraçado que li essa semana um texto sobre como os adolescentes usam Snapchat, e a menina dizia que o app era a vida dela. Lembrei de quando eu achava que ia ler a Capricho pra sempre, que teria a assinatura até depois dos 30 anos. A revista nem chegou a sobreviver esse tempo todo…

Me dei conta de que sinto falta de encontrar mais ideias, mais histórias, mais argumentos e menos opiniões apressadas. E foi por isso que resolvi escrever aqui. A gente já tá nessa pegada de falar de vulnerabilidade há um tempo - teve o Como matar um projeto, né? Mas como parece que pra fazer um blog/um texto que as pessoas realmente leiam hoje em dia você tem que cravar uma série de opiniões assertivas, de preferência em uma estrutura que mais pareça uma fórmula, quis trazer essas dúvidas.

Onde tá o espaço pra dúvida na internet hoje? Onde tá a oportunidade de não saber de nada e aprender alguma coisa? Onde estão as pessoas dispostas a mudar de opinião ao ouvirem os outros de verdade?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. “Tabacaria”, de Álvaro de Campos

Dani Arrais3 Comments