Projeto de narrativas jornalísticas evidencia lacuna entre os gêneros

genero "A diferença salarial entre mulheres e homens no Brasil é uma das maiores do mundo e equiparar a condição dos dois sexos no país levará um século." A notícia parece de muitos anos atrás, mas é de anteontem. Isso mesmo: anteontem. E acabou servindo de mote para falarmos aqui do Gênero e Número, um projeto de narrativas jornalísticas guiadas por dados que fala sobre assimetrias de gênero.

O projeto traz reportagens, vídeos e infográficos para falar, por exemplo, como as mulheres tiveram vitórias marcantes nas eleições para vereador, mas continuam sub-representadas; ou como o processo de impeachment escancara nas redes e no Congresso a violência política contra a mulher.

Debates cada vez mais urgentes e fundamentais para todos nós que queremos entender o mundo além do primeiro parágrafo da notícia, né? Para saber mais sobre o projeto, conversei com a Natalia Mazotte, um das criadoras.

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- Qual foi o estalo que vocês tiveram pra falar desse tema?

Falar das assimetrias de gênero que percebemos no nosso dia a dia está cada vez mais frequente, né? As mulheres estão bem mais conscientes das situações que as colocam nesse lugar desigual em relação aos homens e isso tem vindo à tona. Acho que já era um assunto no radar das três fundadoras do Gênero e Número, eu, Maria Lutterbach e Giu Bianconi. Nós três somos jornalistas e temos um background mais voltado para novas mídias, então a emergência desse movimento feminista nas redes não passou despercebido. Sentimos que o momento era bom pra incidir nesse debate, não com um viés ativista e de campanhas, mas com o olhar jornalístico, porque temos dados e fatos de sobra pra evidenciar o gap de gênero que, ainda em 2016, existe. A Giu fez a ponte para nos conectarmos e começamos a tocar o projeto.

- Como foi tirar a ideia do papel? Quanto tempo levou, como vocês se articularam?

Da primeira conversa, que aconteceu em outubro de 2015, até o lançamento, em agosto desse ano, foram dez meses. Nos primeiros, nós ainda estávamos nos conhecendo, entendendo a ideia, buscando aprofundar o conceito. O "sprint" pra consolidar o projeto e buscar viabilizá-lo começou mesmo em fevereiro deste ano. Então eu diria que foram seis meses intensos de trabalho das três, em paralelo às outras atividades que estávamos tocando, até termos toda a definição e posicionamento, apoios, logo, identidade visual, site e primeira edição de conteúdos no ar. Passou rápido! rs

- Por que é importante falar de gênero hoje?

Posso responder isso usando números, pra manter nossa tradição. Porque ainda não ocupamos nem 15% das cadeiras do Congresso, temos uma escolaridade maior, mas ainda recebemos cerca de 35% menos, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada e eu posso continuar aqui listando os motivos. Mas prefiro que vocês leiam nossa revista digital e tirem as próprias conclusões sobre a necessidade de se falar de gênero.

- Como tem sido a recepção do público?

Estamos super entusiasmadas com o retorno que temos tido. Em pouco mais de dois meses desde o lançamento já são quase 6 mil pessoas que curtem o projeto no Facebook. Recebemos inúmeras mensagens parabenizando pela iniciativa, e muitas também de pessoas dispostas a contribuir com o projeto. Lançamos uma chamada pública para receber trabalhos acadêmicos sobre gênero que teve mais de mil compartilhamentos. E nossa caixa de e-mail está repleta de pesquisas interessantíssimas sobre esse universo. Tudo isso dá ainda mais ânimo de buscar fazer o melhor trabalho possível.

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