Para ser a mudança: sobre o novo #vailásp e a Schumacher College

Aqui na Contente é regra que todo ano fazemos uma viagem ou experiência em busca de uma transformação positiva. Em 2014 fizemos uma imersão pelo Vale do Silício e por San Francisco (veja aqui e aqui) que nos transformou como profissionais e como pessoas. Compartilhamos tudo com vocês e conseguimos aplicar um monte dos aprendizados em nosso trabalho quase que imediatamente. Em 2015 não foi diferente, pelo menos a tradição de viajar para se inspirar e estudar. Já a viagem... Estávamos um pouco sem inspiração para o destino e um pouco cansadas de estudar temas com associação direta à nossa área de trabalho. Queríamos algo diferente e no segundo semestre de 2015 praticamente "tropeçamos em um folheto" que apresentava a Schumacher College e um dos seus cursos.

Schumacher College is an international centre for nature-based education, personal transformation and collective action. Come here for short courses and postgraduate study with the leading thinkers, practitioners and activists of our time. Join us for education, co-creation and participation in a more resilient, equal and sustainable world. Our work is to inspire, challenge and question ourselves as co-inhabitants of the world, to ask the questions we all struggle to find answers to and to find sound knowledge, intuition and wonder in our search for solutions.

Se você leu e não entendeu 100%, não se preocupe, estamos com você. O curso que encontramos se chamava "Liderança para a transição". O nome foi atrativo, o texto e as fotos da escola também. Aqui entra um adendo: eu, Luiza, tenho uma forte herança hippie de minha mãe e uma tendência natural de amar programas que envolvam abraçar árvores. A Dani não tem o mesmo perfil, mas de uns tempos para cá tem curtido muito experiências mais alternativas e amou fazer um retiro de silêncio. Assim embarcamos de cabeça: vamos! Quando nossos amigos perguntavam o que íamos estudar no interior da Inglaterra respondíamos "tem algo a ver com natureza", "uma coisa sobre liderança nesse novo momento de transição"...

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A jornada

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Junto a um grupo de 20 brasileiros, chegamos na Schumacher College, um cenário digno do seriado Downton Abbey. O prédio da escola foi construído em 1.300 e tem ao redor jardins que parecem fotos de quebra-cabeça de 300 peças. Além da paisagem onírica, tudo mais o que compõe o local é aconchegante e especial. Salas de aula e suas janelas para os jardins, a biblioteca e sua lareira, os bancos e mesas nos jardins, a horta, o caminho para a floresta, a floresta. A alimentação é vegetariana e magnífica, se existe carne você nem se lembra, tamanha a diversidade dos cardápios.

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Essa introdução para explicar o contexto de aprendizagem é essencial, pois este lugar te abraça e te convida a ter uma experiência significativa em todos os sentidos. Passamos uma semana ali, que mais pareceu um mês. A carga horária era intensa, sem tempo livre. Após o café da manhã a primeira atividade começava às 8h15 com a "Morning meeting", um encontro de todos que estão hospedados estudando, sendo voluntários ou trabalhando na Schumacher. A ideia é dividir inspiração em forma de textos, poesias ou experiências, compartilhar o que cada grupo está produzindo e também comunicar aos diferentes grupos de trabalho quais são as tarefas do dia. Na escola todos cedem 30 minutos do seu dia para o trabalho voluntário, que vai desde ajudar na cozinha ou na horta até limpar as salas e os banheiros dos prédios. Aprendemos a cuidar cuidando diariamente do espaço. Após a tarefa voluntária, hora da aula, que poderia ser numa sala, na biblioteca ou em uma caminhada que durava 4 horas. De manhã, à tarde e à noite. Antes de começar as aulas, hora de conhecer um pouco melhor o grupo por meio da pergunta "quem é você?". Interessante pontuar que ninguém na roda citou sua profissão, ninguém foi interrompido, os silêncios foram respeitados e até saiu uma lágrima ou outra. Já dava para sentir que uma experiência interessante estava por vir. As aulas começaram e era como estar em uma palestra do TED por período. Acabavam as aulas e cada conteúdo era tão transformador que a gente quase não falava nada, só se comunicava pelo brilho no olho.

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Aprendemos sobre ecologia profunda e a teoria de Gaia caminhando por horas na costa de Dartington e entendendo mais sobre a idade da Terra a cada passo que dávamos. Vimos o poder da vulnerabilidade, da gentileza e da alegria com um senhor indiano que aos 20 anos de idade saiu somente com as roupas do corpo para uma caminhada pela paz, jornada que durou 2 anos e passou pelas 4 capitais que possuíam armas nucleares - Washington, Londres, Paris e Moscou. De um ex-presidiário escutamos em frente a uma lareira sobre transformações pessoais que parecem impossíveis. Em resumo, aprendemos sobre como viver em comunidade e em sintonia com seus principais valores.

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Se tivesse que resumir em uma frase esta experiência, diria que me re-conectei profundamente com a natureza. De volta a São Paulo e ao trabalho, me sentia pronta para experimentar viver de uma nova forma, mas não para falar sobre isso. Fizemos este curso em setembro de 2015. E a verdade é que ainda não consigo falar muito sobre. Estou vivendo um processo de aproximar a minha vida, minhas escolhas e meus hábitos aos valores que admiro e me identifico. Mas esta é uma jornada difícil, pelo menos para mim, confesso. Não se render à praticidade, aos velhos hábitos, ao conforto das escolhas antigas.

Como sempre acontece na Contente, as dúvidas e as novas vontades se encaixam no trabalho, e pensamos que uma maneira de entender, assimilar e assentar esses aprendizados todos seria fazendo algo na prática. Agora começa a primeira mudança dentro da nossa empresa.

Apresentamos o novo #vailá!

 

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Estas questões surgiram fortemente em nós e, junto delas, um incômodo, uma inquietação e principalmente algumas vontades: consumir de forma mais consciente, consumir o que é local, fazer escolhas melhores e com a mesma ou maior alegria. Queremos respostas e, se possível, gostaríamos de descobrir e viver este momento junto com mais pessoas. Se essas questões também fizeram sentido para você e te fizeram refletir, te apresentamos agora um novo #vailá. Acreditamos que o nosso guia colaborativo é uma plataforma maravilhosa para descobrirmos juntos onde achar orgânicos, produtos brasileiros, comprar de quem faz, viver experiências únicas, tudo com um olhar de quem está preocupado com o futuro e quer fazer mudanças já. Para trilhar este novo caminho contamos com a colaboração da @fecanna, que escreve e vive um estilo de vida consciente. Uma alegria poder contar com ela! Com o novo #vailásp vamos aprender mais sobre:

  • Consumir de forma consciente
  • Experimentar fazer à mão
  • Reencontrar nossas raízes brasileiras
  • Apoiar a produção local
  • Mostrar opções veganas
  • Produzir menos lixo
  • Ser mais sustentável
  • Descobrir de onde vem as coisas

Com a esperança de que essas informações terão um papel importante na transformação do nosso cotidiano, convidamos vocês a serem leitores e agentes de mudança junto com a gente. Vamos caminhar juntos?

Luiza Voll10 Comments