Múltiplos caminhos na programação do Festival Path

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Será que vejo o painel “A diversidade brasileira como ferramenta ética, estética e estratégica nos processos de criação”, da Diane Lima, ou o “Influência online: menos intuição, mais ciência”, de Rodrigo Hecler e Tarcízio Silva? Show do Letuce, da Mahmundi ou do Siba? Filme sobre o Dominguinhos ou da morte de J.P. Cuenca? A programação do Festival Path é daquelas que fazem a gente ficar perdido entre tantas opções.

Criado em 2013, o Path chega à sua quarta edição neste fim de semana, em São Paulo. Na programação, 150 palestras, shows, documentários, exposições, feira de startups - tem food trucks também. Tudo acontece no bairro de Pinheiros, em lugares como Instituto Tomie Ohtake, Museu A CASA, Praça dos Omaguás, Teatro Cultura Inglesa, Centro Cultural Rio Verde etc. Ainda há ingressos, e vocês conseguem ver a programação completa aqui: www.festivalpath.com.br.

O festival surgiu depois de uma viagem que Fabio Seixas e Rafael Vettori fizeram ao SXSW (South By Southwest), em 2013. “Era a primeira vez que eu entrava em contato com aquele evento e fiquei fascinado pela sua extensão, variedade e potência”, lembra Rafael, que começou a vida profissional como advogado, foi ator, produtor de TV e cinema, diretor de atendimento em agência. Já Fabio foi diretor executivo da Conspiração Filmes, teve um projeto de documentários e cuidou de uma plataforma de encontros criativos hoje chamada PLUSPLUS!.

“Talvez o maior desafio do festival hoje seja difundir e sedimentar uma proposta ousada. Falamos tanto sobre o programa espacial brasileiro quanto sobre questões contemporâneas ligadas a gênero, ou ainda sobre soluções urbanas ou drones e impressão 3D. Não há nada que não caiba, é um evento de inovação e criatividade”, resume Rafael.

path Destacamos algumas palestras:

Makers e o futuro da inovação, com Gabriela Augustini, do Olabi Makerspace

Mais do que uma tecnologia, a internet em rede estimulou mudanças comportamentais e culturais que impactaram drasticamente a sociedade e que seguem em curso. Com a conexão partindo agora para os objetos e as possibilidades que a robótica e a internet das coisas trazem, uma nova série de oportunidades e desafios se abrem. A cultura maker está crescendo no mundo todo e já mostra que pequenos empreendimentos ou espaços informais podem ser grandes centros de inovação quando conhecimentos e ferramentas encontram os mais diversos tipos de pessoas.

Minha casa, my business, com Ana Sartori, André Visockis, Bruna Castro, Thais Marin e Vivian Lobato

De galeria de arte a espaço cutural, de coworking space a um recanto de antiguidades e peças de design. Num mercado cada vez mais criativo e inovador, pessoas que perceberam como a sua própria casa poderia gerar um negócio sustentável e abriram, literalmente, suas portas.

A revolução feminista na internet, com Juliana de Faria

Mulheres do país inteiro estão usando a plataforma para ampliarem suas vozes, de forma que suas reivindicações por direitos estão sendo ouvidas com mais força. De denúncias de violência de gênero a ações de empoderamento feminino em áreas majoritariamente masculinas, elas lutam por - e conquistam - uma nova forma de estar no mundo.

A morte da ordem, com Felipe Pissardo

A maneira como vemos as pessoas depende da maneira como as pessoas se veem e constroem sua identidade. É exatamente isso que esta mudando e por isso, a Box1824 desenvolveu uma pesquisa que convida você a discutir e refletir sobre o que estamos chamando de “A morte da ordem”. Vamos falar sobre um mundo mais aberto e flexível e do desejo da expansão da performance do ser humano através de 3 tendências mapeadas recentemente: Post Gender (Morte do Gênero) / Unclassed Consumption (Morte da Classe) / Youth Mode (Morte da Idade).

Como seguir criando moda num mundo que não precisa de mais roupas, com Mariana Pellicciari O contexto atual dos impactos causados pela indústria têxtil nos leva a entender que já temos roupas e tecidos de sobra no mundo. Então, o que podemos fazer com eles? Primeiro é preciso despertar um novo olhar para o que já existe. Tanto para quem usa como para quem cria, este painel busca mostrar soluções criativas e positivas para o cenário em que vivemos atualmente.

Storytelling no país das maravilhas, com Klasien van de Zandschulp

Como aplicar as narrativas digitais para atrair um público mais jovem? Como desenvolver experiências de usuário para o ‘país das maravilhas’ virtual? Aprenda como a tecnologia pode ser alavancada para contar histórias de uma forma mais expressiva. Neste bate-papo, Klasien irá mostrar a importância da otimização da experiência do usuário e da narrativa digital no universo virtual através de diversos cases, como o primeiro festival virtual intitulado ‘Zo niet, dan toch’, e a plataforma aberta de storytelling, ‘Flinck’. Torne-se melhor amigo de heróis do século XVII como Rembrandt van Rijn ao visitar uma exposição: seu smartphone é o seu ingresso para o ‘país das maravilhas’.

Afroempreendedorismo para atender uma demanda orfã no mercado: o Afroconsumo, com Adriana Barbosa, Fernando Montenegro, Helder Dias e Whellder Jesus

Alavancado pelo empoderamento intelectual e capital, juntamente com as políticas público-privadas de inclusão social, o comportamento de consumo dos afro-brasileiros teve uma mudança significativa na última década. O acesso a um repertório mais extenso, provocou um questionamento do papel das marcas nas relações com estes consumidores, culminando no surgimento de uma nova categoria, que tem exigido representatividade: o Afroconsumidor. Fazendo a leitura desse momento, com foco principal em suprir esta lacuna no relacionamento e à ascensão desta nova demanda desconsiderada pelo mercado tradicional brasileiro, desenvolveu-se o Afroempreendedorismo, que tem crescido economicamente nos últimos anos mesmo durante a crise e já pode ser considerado um novo nicho de mercado.

Dani ArraisComment