Deletei 1.000 pessoas e meu Instagram voltou a ser legal

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O Instagram pra mim era infinito. Eu podia passar uma hora dando scroll e, ainda assim, não chegava até a foto que tinha visto da última vez. Não que eu precisasse fazer isso, mas vocês sabem como são esses pequenos rituais virtuais que a gente cria pra nós mesmos. No automático, clicava duas vezes para dar coraçãozinho a todo mundo. Acompanhava a vida de tanta gente, há tanto tempo, que acabei criando a ilusão de que conhecia algumas delas e de que a gente era até amigo!

Mentira.

Por mais que a internet aproxime as pessoas, é humanamente impossível cultivar amizade com centenas de pessoas. Nem era minha pretensão, na real, mas sabe quando você acompanha a vida dos outros há dois, cinco, dez anos (amigos de Twitter, lembram?) e acaba criando uma sensação de familiaridade? Afinal, estamos todos ali dando updates das coisas mais legais que acontecem nas nossas vidas, dividimos opiniões, comentamos, elogiamos, distribuímos Emojis sem moderação. Quando encontramos essas mesmas pessoas na rua, em uma festa, em um evento de trabalho, estamos tão por dentro do que elas têm feito que engatar um papo é suave.

O problema é que a chance de ficarmos naquela repetição de “oi, tudo bem? Tudo bom, e você? Tudo bem também” é grande. E isso começou a me cansar há um tempo, até o ponto em que ficou insustentável.

Cansada de fazer do Instagram um diário meu e dos outros, resolvi aplicar o método da Marie Kondo no ambiente virtual (no físico, não passo 15 dias sem fazer uma faxininha, haha). Autora do best-seller “A mágica da arrumação”, que já vendeu mais de 2 milhões de cópias no mundo, a japonesa criou um método que parte da premissa que devemos olhar para tudo o que nos cerca e perguntar: “isso me traz alegria?”. Objetos, memórias, relacionamentos. Em tempo recorde você percebe como vive rodeada de supérfluos.

Os primeiros unfollows foram mais difíceis. Será que deleto? Mas quero saber o que essa pessoa anda fazendo... Se queria muito mesmo, acabei adicionando no Face (ok, só estou transferindo o acúmulo de um lugar pra outro, mas já contei que depois que voltei pro Face organizei as pessoas em grupos, né? E isso é uma mão na roda quando preciso entrar em contato).

Quanto mais eu ia deletando as pessoas, mais fácil ficava. Apreciadora dessas pequenas obsessões, só sossegava se chegasse em um número redondo. Assim, em um intervalo de uns três, quatro dias, passei de cerca de 1.200, 1.300 pessoas para 250. Só de olhar esse novo número sinto alívio. Ficaram os amigos mais próximos, alguns fotógrafos cujo trabalho eu admiro, amigos que conheci por causa da internet e do Instagram, mas com quem já troquei algumas boas conversas, e só.

Ainda espero o dia em que vou ouvir um “mas por que você parou de me seguir, o que foi que eu fiz?”, como aconteceu quando deletei meu Facebook - me fazendo pensar no quanto queremos tanto agradar que somos capazes de acumular até gente no ambiente virtual só pra ser legal. Eu, hein. Depois da faxina, fiquei pensando que mais vale "colecionar " amigos e contatos no Face ou no Linkedin, preservando o Instagram como um lugar em que temos autonomia pra ver apenas o que realmente queremos. Sejamos todos curadores, ao menos dos nossos feeds. Sem dúvida vamos ganhar mais tempo e uma dose de prazer.

Dani Arrais3 Comments