A internet que a gente quer, parte 2

A internet que a gente quer devia ser um norte, sempre. Sei que nós é que escolhemos o que queremos ver, ouvir, ler e consumir na rede. Podemos cronometrar nosso tempo por dia no Facebook, não ler apenas os portais de notícias que seguem a lógica polêmica-tragédia-celebridade e aprender tudo o que quisermos em poucos cliques. Mas a real é: o quanto efetivamente a gente faz isso? Se a sua internet é um lugar sempre muito legal, conta como você faz? Me fala como não sucumbir aos textos e às polêmicas do dia? E agora, ainda por cima, às disputas políticas? Por mais que eu queira ver outras coisas, primeiro tenho que dar uma olhada no que todo mundo está falando. Que mania de querer pertencer, não?

Faz um tempo que penso nisso. A Lu também. Tanto é que o primeiro post deste blog, em janeiro, fala exatamente desse assunto > http://contente.vc/blog/um-novo-jeito-de-conversar-com-voces/

Dia desses, depois de postar sobre a crise dos 7 anos no meu blog, o Don’t Touch My Moleskine, voltei a pensar na internet que eu quero.

E gostei de fazer um exercício para o futuro. Como é a internet que eu desejo? Para agora, sem dúvida. E para uns bons anos pra frente, também.

Pensar no futuro é abrir uma gama de assuntos. Podemos falar apenas do futuro tecnológico, aquele nem tão longe nem tão perto do filme “Her”, de Spike Jonze, em que um homem se apaixona por um sistema operacional. Podemos falar da internet das coisas, que não estará apenas nas nossas mãos, mas em todos os objetos ao nosso redor, das nossas roupas ao móveis de casa.

Podemos falar, também, de um futuro mais simples e pessoal.

A internet pra mim hoje virou muito sinônimo de email. Todos os dias olho pra minha caixa de entrada e coloco em mente que vou vencê-la. Antes isso quase nunca acontecia, hoje é um cenário até recorrente. Quando acordo no outro dia, tá tudo igual, estão lá os emails se reproduzindo em uma velocidade angustiante. Sendo que eu adoro email. Ainda acho uma das melhores formas de comunicação. Guardo todos os pessoais e com estrelinha aqueles que vão entrar no meu livro de correspondência quando eu tiver velhinha. Mas a ansiedade da comunicação instantânea acaba dando uma desanimada com a ferramenta.

Jenni | https://www.flickr.com/photos/jennipenni/3321065250

Quando penso na minha internet do futuro, me vêm alguns desejos.

Quero que ela tenha menos obrigação. Não quero saber de tudo que acontece no mundo, muito menos das opiniões tão apressadas que tanta gente faz questão de dar.

Quero que email seja um instrumento útil e muito legal - e que as pessoas parem de fazer da urgência delas a nossa.

Quero uma internet ampla e diversificada, com menos listas (Buzzfeed, te amo, principalmente você, Capanema, mas não gosto do fato de que a repercussão dos seus posts é tão maciça que todo mundo queira fazer tudo igual a você).

Quero mais contexto: ok, a gente tá por dentro do conflito em Gaza, mas quem vai fazer uma grande compilação histórica e política dos fatos?

Quero que a gente troque menos contatos e faça mais trocas de verdade. É muito legal divulgar o que a gente faz, mas por onde anda a espontaneidade de conhecer alguém pelo que ele é, e não pelo que ele faz?

Quero que a internet não seja uma sugadora de tempo. Por que a gente não consegue desligar, nem mesmo antes de dormir? Quando foi que ficamos tão acostumados com uma coisa que existe em nossas vida há pouco mais de dez anos?

Quero que mais gente crie conteúdo legal de verdade, e não só replique as mesmas coisas de sempre. Que todo mundo escreva mais em seus blogs empoeirados.

Quero que ela seja menos efêmera e que um conteúdo bom de verdade dure mais do que uma tarde no Facebook.

Quero que a gente aprenda a discordar sem ficar muito puta da vida. Debates ajudam a gente a entender nosso posicionamento no mundo, mas não precisam nos deixar com os nervos à flor da pele.

A internet que eu quero é um lugar muito legal, cheio (e nunca sobrecarregado) de gente que se interessa de verdade pelo que o outro tem a dizer (e não fica apenas esperando sua vez de falar) e com um monte de histórias contadas das mais diversas maneiras.

A internet que eu quero vem para somar - não em horas a mais de trabalho ou em dicas de produtividade para fazer da gente robôs supereficientes. Ela é mais low profile, leve e muito mais gostosa. E, sem dúvida, ajuda na construção de quem a gente é, a cada dia, a cada janela que a gente decidir abrir.

O que nos guia na Contente é a construção dessa internet, para isso criamos a empresa e é isso o que tentamos fazer todos os dias com os nossos projetos: criar o que gostaríamos que existisse, comunicar e trocar como gostaríamos que as trocas fossem e devolver um pouco do tanto que recebemos. Esse raciocínio tem sido tão positivo que queremos ampliar essa conversa. Você já pensou como é a internet que você quer?

#ainternetqueagentequer

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A foto é da Jenni.

Dani Arrais9 Comments