A internet que a gente quer: Fred Di Giacomo

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O Fred Di Giacomo é escritor e jornalista, investiga o tema da felicidade no super consistente The Glück Project, é um dos mentores da Énois Inteligência Jovem, "uma agência escola que trabalha na formação de jovens e depois constrói, com eles, diversos produtos de comunicação, como revistas, sites, campanhas". A gente se conheceu no offline quando fomos convidadas para falar um pouco da Contente para os jovens da turma de 2016. Foi uma experiência tão boa que, vira e mexe, a gente se pega pensando no quanto queremos falar mais com adolescentes.

Ele já passou por vários veículos e se define como um profissional que usa plataformas como livros, games, poemas, sites, músicas e infográficos para contar histórias, se comunicar com os leitores e produzir arte. Demais, né?

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#ainternetqueagentequer por Fred Di Giacomo

A internet que eu quero, e a internet que eu amo, tem a ver com a utopia que acompanhou o surgimento da web ˜comercial˜ - pelo menos o surgimento dela na minha vida, quando era um #caipirapunk de 13 anos, isolado em uma cidadezinha no interiorzão de São Paulo. Lá nos loucos anos 1990,  a gente tinha que se virar gravando fitinhas K7 pra descolar os sons que descobria nas revistas ou  trocando zines xerocados pelos Correios para manter contato com outras pessoas que se interessavam por literatura, música, política e outras milongas mais. Lembro de ficar uma noite toda à base de conexão discada e Windows 95 para baixar um simples arquivo mp3 com “Molotov” do Dead Fish ou “Mente Positiva” do Mukeka di Rato. Mas era a forma mais rápida e barata (obrigado IG, pela internet gratuita em nossa vidas) de visitar o Espírito Santo e conhecer sua cena HC. Anos depois, a banda larga só multiplicou esse sonho e as lan houses espalharam a boa nova por uma cacetada de lugares onde comprar um computador era artigo de luxo. Não tenho saudades da lentidão da conexão discada, do barulho agudo do modem ou dos layouts horríveis de sites cheios de gifs. Mas gosto da ideia de um espaço plural, livre, com um quê de amadorismo e que não seja regido por uma super-hierarquia estipulada pelo poder da grana.

Que os textos, ideias e músicas que sejam legais e relevantes ganhem público e não apenas os conteúdos patrocinados na rede social do momento. Sei que conteúdo bom merece ser pago de alguma forma - e como alguém que produz conteúdo  fico feliz com essa ideia. Mas a forma atual de monopólio de verba publicitária nas mãos de dois gigantes de tecnologia que distribuem a maioria do conteúdo e não pagam os criadores por isso, não resolve o problema. A internet que eu NÃO quero é uma internet fechada, cara e patenteada pelo senhor Mark Zuckerberg. (Ou, então, a internet do bullying, textão-difamação e linchamento público). Como diz a Karin Hueck, minha companheira, o Facebook é a coisa mais parecida com o seriado Black Mirror que o mundo real já pariu. Gastamos muito tempo curtindo, comentando e compartilhando temas decididos por um algoritmo que, no final dos contas, quer nos empurrar anúncios pagos e nos manter o máximo possível de tempo conectados. Gastamos muito tempo achando que aquele espaço privado É a internet e É a vida real. Pior, em muitas dessas horas que gastamos conectados, estamos fornecendo informações e fotos preciosas para a rede, sem ganhar nada em troca. E em tempo de Big Data, estes dados são ouro. (Assim como nosso tempo.)

Gosto da coisa mais fanzine e Miranda July e menos #marketingviral e Datena versão youtuber. Gosto, também, da possibilidade de espalhar boas histórias, informação, tutoriais e pequenas pílulas de ânimo para as pessoas. Gosto mais de um mundo virtual (e do real também) que acredite que a felicidade é possível do que um poço de ironia, mau-humor, Fla-Flu e acidez. Isso se liga diretamente a outra questão que me pediram para abordar nesse textinho: “Como você contribui para que ela (a internet que você quer) exista?”. Bom, pensar isso, me fez constatar que passei toda minha vida profissional trabalhando com internet. Eu já tocava o finado Zine Kaos antes de ser contratado para trabalhar nos sites das revistas Bizz e Mundo Estranho, em 2006. De lá pra cá me dediquei a trabalhar como jornalista em espaços que procuravam distribuir informação de qualidade e de uma forma mais plural. Além do trabalho em sites como a Superinteressante e de criar newsgames como Filosofighters e Science Kombat, tive experiências com sites educacionais e sempre foi legal ver como o Guia do Estudante ajudava, de graça, muitos alunos a mudarem suas vidas ao passarem no vestibular. Por fim, em 2013, criei, com a Karin, o Glück Project  - uma investigação sobre a felicidade - que procurava explorar, justamente, esse lado mais humano e equilibrado da  vida e questionava, inclusive, a ostentação de alegrias que narramos no Facebook, como se vivêssemos numa série de ficção.

Mais respostas:

Carol Rocha, publicitária

Liliane Prata, jornalista

Gustavo Mini, publicitário/Conector

Ana Paula Freitas, jornalista/Nexo

Luanda Fonseca, do No Drama Mom

Juliana Cunha, do Já Matei por Menos

Juliana Gomes, do Leia Mulheres

Rafa Cappai, da Espaçonave

Gui Poulain, do Moldando Afeto

Thaís Fabris, Larissa Vaz e Maria Guimarães, do 65/10

Carol T. Moré, do Follow the Colours

Ana Luiza Gomes, do projeto Andarilha

Patricia Abbondanza, da Dedo de Moça

Debora Baldin, do Canal das Bee

Bia Granja, do YouPix Hub

Michell Zappa, da Envisioning

Dani ArraisComment