A fotografia que transforma vidas, por Bruno Feder

A fotografia pode mudar vidas. Com o projeto Cross Geographic, o paulistano Bruno Feder transformou a paixão em fazer roteiros fotográficos pelo mundo em um trabalho social que ajuda comunidades em Uganda e no Sudão do Sul. Com a missão de elevar a consciência coletiva sobre o preço que a população civil, principalmente crianças e mulheres, paga pelos conflitos armados na região, Feder viaja aos países e faz fotos de pessoas, paisagens, costumes e tradições. Na volta, vende essas imagens e doa a renda para as comunidades, que assim podem fazer melhorias em infraestrutura, saúde e educação. O projeto começou em 2013, logo após Feder fazer um curso no ICP (International Center of Photography), em Nova York, onde conheceu uma fotógrafa que estava partindo para Uganda. Ele foi junto e acabou encontrando o propósito que unia suas paixões: a fotografia e o fascínio pela diversidade cultural, étnica e religiosa que existe no mundo. “O primeiro impacto foi intenso. Tanto Uganda quanto Sudão do Sul têm culturas tribais muito fortes, mas logo percebi como esses países são estigmatizados”, diz ele. “Sim existe muita pobreza, doenças e violência, mas não é só isso.”

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No Sudão do Sul, “a mais nova nação do mundo, que ganhou a independência em 2011 após a guerra mais longa de todo continente”, explica ele, o projeto beneficia a ONG Confident Children out of Conflict, que cuida de cerca de 30 meninas órfãs e violentadas sexualmente. Em Uganda é a vez da escola e comunidade de Wanteete, na zona rural. “Fizemos uniformes para todas as crianças e sapatos para algumas, disponibilizamos mesas e cadeiras, material escolar, treinamento de professores, parquinho e reformas. Também fizemos atendimento médico e dental, apoio ao grupo de HIV e até a compra de um terreno para ampliação da escola junto com uma ONG norte-americana”, enumera.

As dificuldades aparecem no caminho. Feder conta que ouvir as histórias de atrocidades contadas pelas próprias vítimas é muito intenso. “E lá é muito difícil de fotografar. Além de me colocar em risco, posso colocar a vida de pessoas em risco também, tenho que ser muito cauteloso, obter permissão e nunca revelar os locais onde fotografei. O protocolo de segurança é rígido, e eu tenho que obedecer aos procedimentos - como toque de recolher.”

Ver o trabalho acontecer e ter desdobramentos incríveis é o que o motiva a continuar. “Espero, por meio da fotografia, mostrar um pouco da realidade de pessoas menos favorecidas no mundo. Existe muito sofrimento que pode ser evitado se cada um fizer um pouco. No fundo somos todos iguais e merecemos dignidade", completa.

Saiba mais sobre o projeto > www.crossgeographic.org + www.facebook.com/crossgeographic

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Dani Arrais4 Comments