13 coisas que aprendemos no Vale do Silício

Entramos, literalmente, na internet. No Google, no Facebook, no Twitter e no Instagram. No Airbnb, no Linkedin, no Evernote, no We Heart It. Conhecemos os espaços físicos onde funcionam essas ferramentas que usamos diariamente - e que nos ajudam a inventar projetos para a internet.

Em novembro, fizemos uma viagem de 15 dias pelo Vale do Silício e por São Francisco. Fizemos uma imersão no mundo da tecnologia, conhecendo diversos players do mercado: de startups a gigantes, passando por bancos de investimentos, universidades e espaços de “faça você mesmo”.

O que aprendemos em um espaço tão curto de tempo foi mais poderoso do que podíamos imaginar. Talvez porque percebemos que a cultura do Vale do Silício é tão forte que os ensinamentos se repetem. Antes que vocês achem isso sem graça, explico: a cultura de empreendedorismo é tão enraizada que dá pra gente identificar ideias e soluções que podem ser aplicadas para qualquer negócio, em qualquer lugar.

Vamos a elas?

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Tantas vezes a gente se pega querendo ter uma ideia genial, o próximo Facebook, aquilo que vai mudar o mundo e ainda nos deixar milionários... Inovar e empreender não é só isso. Pra um Mark Zuckerberg no mundo, existem milhões de outras pessoas que criam soluções para as vidas de milhões de pessoas. Inovar nem sempre precisa ser sexy, nos disse o Rafael Dahis, gerente de produto do Twitter. Pra começar, tente responder: qual é a dor que seu produto resolve? Depois comece o trabalho. E lembre-se: você precisa criar soluções que as pessoas nem sabiam que queriam, mas que rapidamente não conseguem viver sem.

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Na verdade, falhar é fundamental. Se você nunca falhou é porque não está fazendo tudo o que poderia. Está na sua zona de conforto - e dela não vai sair nada muito novo. Existem investidores que não endossam quem nunca falhou, pois eles pensam que vai ser no novo produto que isso vai acontecer. Errar faz com que a gente se reinvente. Então olhe para o que não deu certo como um trecho do caminho muito importante para que você uma hora chegue lá.

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Aprenda a abrir mão das suas próprias ideias em prol de um produto melhor, de uma empresa que vai crescer. Não seja tão emocional, tão apegado. Quando a gente tem uma ideia, é fácil achar que ela é genial. Quando a dividimos com o mundo é que vemos sua força e também sua fraqueza. Nesse processo, feedback é fundamental e permite que você melhore seu produto. Deixe que outras pessoas participem da criação do seu bebê e faça como as mães costumam falar: crie-o para o mundo.

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Essa fica melhor em inglês: show, don’t tell. Em vez de falar que seu projeto vai funcionar de tal jeito, aprenda mais sobre ele colocando a mão na massa, fazendo. Tem a ideia de fazer um app? Mostre o protótipo funcionando. O Chris Traganos, do Evernote, foi quem primeiro cantou essa bola. E nas visitas fomos vendo que os funcionários de uma empresa têm muita autonomia para criar, para colocar coisas no ar sem ter que passar por várias aprovações. Se funcionar, ótimo, basta implementar para um número maior de pessoas. Se não, é hora de fazer uma coisa nova.

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É impressionante como é fácil falar com qualquer pessoa no Vale e em São Francisco. Você manda um email e recebe uma resposta em oito minutos - aconteceu isso com a gente, quando mandamos um email para o criador do Photojojo. As pessoas são disponíveis, têm tempo para te mostrar o lugar onde elas trabalham, contar sobre o que elas fazem, ouvir sobre você também. Existe uma noção muito forte de que todos fazem parte de uma comunidade. Elas querem ajudar. Elas lembram que o começo nem sempre é fácil, então querem contar o que já aprenderam e devolver essa disponibilidade com que foram recebidos no começo de suas carreiras.

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Comit and bring to life. Ship it. Tenha foco total e muita responsabilidade. As 24 horas de um dia parecem dobrar no Vale. As pessoas parecem produzir o tempo todo, pensar o tempo todo no que podem fazer de novo, em como podem melhorar.

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O Walt Disney falou uma frase com esse sentido. E, antes que vocês tenham preconceito, conto: o Walt Disney começou como ilustrador, passou por muitos perrengues, mas sonhava em construir um mundo de fantasia para todo o mundo. Isso no século passado! Pensar em coisas impossíveis pouca gente faz, né?

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Contratar é a coisa mais difícil, nos disse outro cara do Evernote. Encare esse desafio como um dos momentos mais importantes da sua empresa. Encontre pessoas que têm habilidades diferentes das suas, para somar, para ampliar as visões. É difícil até chegar na pessoa certa, mas depois você começa a construir um time e a ver a força que isso tem, e muitas coisas novas e interessantes podem surgir daí.

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Se você trabalha com internet e tecnologia, pense em objetivos semanais, mensais, trimestrais. Não dá pra saber o que as pessoas vão querer em cinco anos. Então tente pensar em novidades, em mudanças de curto prazo. Assim você vai se adaptando ao mercado e entendendo o que as pessoas querem no momento.

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Construa um produto que fascine as pessoas. E pense em dois aspectos: na comunidade e no faturamento. Esteja em contato constante com a comunidade e, enquanto isso, pense também em maneiras de monetizar. As duas coisas andam sempre juntas.

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No Google, os funcionários têm um dia livre para trabalhar no que quiserem. Foi assim que surgiu o Gmail, por exemplo. Outras empresas também incentivam que seus times tenham tempo para pensar no que não está na pauta do dia. A gente sempre pode fazer isso, claro, mas é tão legal que seja uma coisa estabelecida, né? Com tempo para pensar no que não é tarefa, acabam surgindo novas soluções - e quem imaginaria a internet sem Gmail? Outra coisa importante é ter tempo para você. Quando chegamos lá, pensei: essa coisa de ter sala de jogos é legal, mas deve servir mais pra enfeite mesmo. E não é. As pessoas realmente usam, se espalham pelos lugares. Tem uma coisa de passarem tempo demais ali, é verdade, mas isso fica pra um outro post, talvez. No Linkedin, vimos uma banda formada por funcionários, vibe legal demais. É muito importante trabalhar, mas não dá pra esquecer que você gosta de fazer várias outras coisas também.

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Nesses tempos de conexão 24 horas, parece que temos que estar disponíveis o tempo todo, que temos de ser 100% eficientes, que tudo tem que ser ticado da to-do list. Ter tempo pra entender qual é a necessidade verdadeira é fundamental. Até porque vão sempre existir várias necessidades sempre. Qual é a mais importante agora?

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As coisas não são sobre você o tempo todo. Pense além. Pense no que você quer construir para o mundo. Aceite elogios, cresça com as críticas.

Dani Arrais8 Comments