Para onde está indo nossa atenção?

Encontro #ainternetqueagentequer na Além House of Changers, em Curitiba. Foto: Amanda Lavorato

Encontro #ainternetqueagentequer na Além House of Changers, em Curitiba. Foto: Amanda Lavorato

"Minimalismo é a arte de saber o quanto é suficiente."

Como viver uma vida focada em um mundo cada vez mais barulhento? É o que Cal Newport responde no seu novo livro, "Digital Minimalism". Uma daqueles livros bem norte-americanos, que misturam uma tese, vários exemplos e uma lista de afazeres para você conseguir o que tanto deseja ao comprar aquela ideia do título. Nesse caso, ficar menos conectado e retomar o controle do seu tempo.

Newport descreve os minimalistas digitais como pessoas calmas e felizes que conseguem ter longas conversas sem dar aquela espiada no telefone. Conseguem ler um livro inteiro, fazer um projeto de marcenaria, correr no parque, se divertir com os amigos e a família sem o desejo obsessivo de documentar a experiência. São aqueles que conseguem se informar com as notícias, mas não se sentem saturados por elas. Não sentem Fomo (medo de estar perdendo alguma coisa) porque já sabem o que traz significado e satisfação para suas vidas.

Quem não quer ser essa versão de si mesmo, né?

No livro o autor reforça que não é que a tecnologia é ruim. Ela é o que fazemos dela, claro, mas como ter alguma autonomia quando empresas bilionárias criam estratégias para que a gente passe cada vez mais tempo online? Isso acontece porque não pagamos pelo produto. Logo, somos o produto. É a famosa economia da atenção. Ao fim do dia, nos sentimos cansados, vimos o mesmo post 100 vezes, mas não é que estamos mais bem informados. Na real nos sentimos exaustos - e frustrados também. Nos comparamos aos outros, achamos que estamos fazendo menos, toda essa conversa que vira e mexe a gente tem por aqui.

Por isso Newport defende que nós temos que fazer a resistência da atenção. Para onde está indo a nossa? O que ganhamos ao passar o dia todo aqui? O que perdemos? (E há quantos anos pensamos nisso?, acrescento) Chegou a hora de usarmos a tecnologia a nosso favor, devotando nossa atenção a mais conexões cara a cara e a lazer de alta qualidade (falarei disso num próximo post). Sempre lembrando de fazer um uso crítico de tudo que é atrativo demais e suga nosso tempo. Estamos preparados?