Você sofre da síndrome da impostora?

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Para se candidatar a uma vaga de emprego, uma mulher exige de si mesma estar 100% qualificada. Homens, caso atinjam 60% dos requisitos, já se sentem aptos. A diferença é gigante, né? A gente desiste antes mesmo de tentar. Não é que a gente não queira, mas tendemos a nos diminuir, a não nos achar boas o suficiente, a achar que precisamos fazer mais alguma coisa, um curso, uma pós até ficar no ponto. Não sentimos confiança. É a tal da síndrome da impostora, que falei brevemente no post anterior (e rendeu uma conversa com @paulanevesc e @clarissag) e que vejo acometer quase todas as mulheres brilhantes com quem convivo.

Em “Mulheres e poder, um manifesto”, a inglesa Mary Beard escreve: “Sob todos os aspectos, as metáforas habituais que usamos para nos referirmos ao acesso feminino ao poder - ‘batendo na porta’, ‘invadindo a cidadela’, ‘quebrando as barreiras’ ou apenas dando ‘um empurrãozinho’ - sublinham a exterioridade feminina. As mulheres no poder são vistas como tendo ultrapassado os limites ou se apossado de algo a que não têm direito.”

A gente precisa ocupar os espaços. Seja uma vaga de emprego, seja um palestra que dá frio na barriga (como essa da foto, que eu e a @luizavoll fizemos em 2015 no InterCon). Seja pra gravar uma entrevista em vídeo (e aqui escrevo porque me detesto em vídeo e toda vez que recebo um convite meu primeiro impulso é dizer não), seja para qualquer coisa que a gente tem vontade e duvida se é capaz. Você é, já está pronta. Nós somos.

Você pode achar que esse sentimento de “impostora” é só seu. Mas te digo: é de quase todas as mulheres. Faz parte da estrutura da sociedade patriarcal em que vivemos. São os homens que predominam nos espaços de poder - na política, em empresas, na internet - e ganham sempre mais. A gente tem que desbravar sempre. Já que é assim e que sabemos que damos conta de tanta coisa, por que não daríamos de mais um desafio? Sempre que estiver quase se sabotando, lembra que quando você consegue dar um passo além você não conquista algo só para você, mas para todas nós.